O cantinho que ninguém nunca visita.


Recomendo que aperte o play antes de começar a leitura.

Ele bateu a sua porta.

Ela o atendeu com um sorriso . Ele entrou, o lugar era bem aconchegante. Móveis de madeira, a cama de casal estava desarrumada. Sentou em uma cadeira que ficava junto a uma pequena mesa redonda que ficava entre o quarto e a cozinha, era como um grande cômodo, era como um grande cômodo sem paredes. Ela estava de short e com uma camiseta masculina cinza. E seus cabelos em um coque mal preso. A mesa continha livros, um caderno e algumas canetas de várias cores. Lembrou-se daquelas colegas de turma de quando era garoto, e nada ainda sabia da vida. Aquelas meninas  que trocavam de canetas o tempo todo enquanto escreviam em alguma folha de caderno mais enfeitada que a caneta que escreviam. Nunca entendeu o porquê de tantas canetas, e pra quê tantas cores. Pelo visto é coisa de garotas.

O rádio estava ligado em um volume baixo, em alguma estação que só tocava música antiga.  Até que aquelas músicas traziam um ar de paz e tranquilidade para o local. O cantinho que ninguém nunca visita.

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_ Café? _ Ela ofereceu enquanto bebia em  uma xícara decorada com pássaros.

_Aceito_  Disse com um leve sorriso.

Uma fresta de sol que entrava pela grande janela de madeira, refletia em seus cabelos loiros. O cabelo preso deixava a mostra alguma pintas em seu pescoço.

Mexi um pouco no celular, fingi que estava mexendo, assim que ela olhou pra mim. Então ela voltou a pôr o café na xícara. E quebrei o silêncio:

_ Rádio em vez de música no celular, café em vez de refrigerante. Que máquina do tempo ti trouxe? Pensei que ninguém mais soubesse o que é ouvir rádio.

_Deve ser só eu, e mais umas dez pessoas_ deu um leve risada.

_ E você que não pára de cutucar esse celular? Disse em um tom provocativo. Me entregando o café e sentando- se na cadeira  a minha frente. _Ou tá trocando mensagens com alguém especial, ou tá dizendo em alguma rede social que está me visitando. O que seria em vão porque nenhum amigo seu me conhece…

_ Sempre quando quero ti achar, tenho que fazer do modo tradicional, vir até sua casa e ti procurar, isso quando não dou de cara com a porta… Qual o seus problema com tecnologias? disse num tom irônico.

txt

Nenhum, uma vez até saí com um conhecido que eu tinha em uma dessas redes sociais. E adivinha? O cara sabia quase tudo sobre mim. O que eu gostava, o que eu não gostava de ouvir, de fazer… Foi extremamente decepcionante conhecer alguém que já me conhecia. Gosto de mistério, que me desvendam aos poucos, com calma, sem pressa. E não que despejam em mim um bando de informações que nem eu mesma sei responder. Sou feita de fases, posso gostar hoje, e na segunda arranjar dez razões para detestar. Não tenho um manual de instruções.

_ Ainda bem que no dia em que nos conhecemos eu perguntei aonde você morava.

_ Sorte sua.

_E  antes mesmo que eu pedisse seu número, você sumiu. Como sempre.

*(De vez em quando escrevo alguma coisa, espero que tenha gostado).

isadora

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