Texto do dia: Não é culpa sua.


Não adianta. E eu não sei se é conspiração cósmica ou azar do destino, mas não adianta. Você não vai gostar de alguém só porque alguém gosta de você. E olha que pode ser aquele seu tipo perfeito, feito realização dos seus rascunhos detalhados sobre como seria o homem ou a mulher da sua vida. Pode ter todas as qualidades, os traços físicos, os olhos claros, os quase dois metros de altura, o piercing no nariz e o que mais você tiver imaginado. Não adianta muito.

E daí te culpam por isso. Por não ter tido estalo. Por não ter tido encanto. Por não ter rolado aquele brilho nos olhos ou aquele friozinho na barriga que você sempre sabe que sente quando conhece alguém com potencial pra acampar na sua vida antes de entrar de vez na sua casa. Culpam você e culpam o seu dedo podre. Porque você só gosta dos tipos errados, dos tipos não correspondidos, dos tipos imaginários, dos tipos de tempos desconectados e de todos aqueles tipos que, supostamente, você não deveria gostar. Pior ainda é quando te culpam por não gostar de quem gosta de você. Será que eles não percebem que dói tanto na gente quanto em quem a gente não gosta nesses casos? Porque parece que a gente faz por mal. Que a gente espera mesmo sofrer ou viver de desamores, vagando por aí e se alimentando dessa coisa vazia de relacionamentos sem futuro. Porque culpam a gente como se fosse fácil ver quem nos quer bem indo embora, com as mãos vazias – e a gente com o coração na mão quando sabe que podia ter feito alguém feliz.

Ele ou ela te ama. Bacana. Mas você vai fazer o que? Vai viver o amor do outro (e pelo outro) e abrir mão do seu só porque alguém diz que você pode escolher amar alguém se empregar um pouco mais de esforço? Às vezes até funciona, às vezes é só perda de tempo e estrago desnecessário de coração. Não se tomam amores que não são nossos. A gente não pode pegar e viver o sonho de alguém, muito menos o amor que não é criado pela gente. E haja dedo podre. Será mesmo? Ou será que a gente não tá só tentando, como todo mundo, encontrar alguém no meio desse vasto espaço que faça algum sentido perto da gente? Sou inclinado a pensar que é essa a opção e que a gente não é tão egoísta assim. Se bem que, no amor, não rola muito ser altruísta quando a gente não consegue amar alguém. Amor que pede esforço pra sentir não é amor. É alguma outra coisa e pode até ser bonita, mas não é amor.

Então, se for pra amar alguém de volta, que seja de um amor que partiu de você. Que foi criado ou conquistado e que mexeu com você de alguma forma que tenha te feito sentir além de uma boa companhia. A gente vai continuar tentando e sabe-se lá se um dia chega ou não. Sabe-se lá se um dia a gente acha ou se perde de vez (e se acha perdido). Mas pega essa culpa que você sente por achar que tá se esforçando pouco e esquece. Pega essa coisa que tentam empurrar pra você como uma necessidade de aceitar o que vem só porque pode ser bom ou legal e pensa que amor não foi feito pra contentamento. É pra se encantar e pra ter algum sentido além dessa coisa do gostar de alguém. Pensa naquele trecho do As Vantagens de Ser Invisível e leva como lema, porque a gente realmente aceita o amor que a gente acha que merece.  A verdade é que “the greatest thing you’ll ever learn is just to love and be loved in return”. E relaxa. A culpa não é sua por querer ser feliz com um amor que seja seu.

Quem é? O texto é do  Daniel Bovolento

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